
TEILHARD DE CHARDIN
(1881-1955)
A Ciência do Amor Universal
A par de uma longa educação jesuíta, notabilizou-se como antropólogo e geólogo. A síntese final desta longa formação de gênio surpreendeu o mundo atual. A vida, para ele, é uma forma específica de uma propriedade universal da matéria cósmica. Esta está sujeita a leis que a guiaram até a evolução humana, as quais ainda atuam até a transformação e "espiritualização" completa do homem e do universo. Essa lei básica é da mesma natureza do amor. "Habitualmente - escreve ele - só consideramos do amor a sua face mais sentimental, as alegrias e as penas que nos causa. Visto, porém, na plenitude de sua realidade biológica, o amor (isto é, a afinidade de ser para ser) não é privilégio do homem. Representa uma propriedade geral da vida. Como tal, reveste todas as formas tomadas sucessivamente pela matéria."
Dizendo de outra maneira: se não existisse o amor, a matéria jamais teria se organizado. O universo inteiro seria apenas uma espécie de poeira de átomos isolados. Mas no mundo de Chardin não há lugar para o egoísmo. Um átomo sente-se necessáriamente atraído por outro. Uma célula procura outra, até levar à construção da criatura humana, formada por bilhões de células. Nessa criatura infinitamente complexa, cada célula abdica de sua própria individualidade única do conjunto.
Para esse irresistível processo de atração, comum a todas as coisas, Chardin criou uma nova palavra: amorização. O amor humano, especialmente entre o homem e a mulher - com sua extensa escala de atrações físicas e espirituais, que vão da simpatia à embriaguez dos sentidos - é o ponto culminante do processo. (...)
Para Telhard de Chardin, o amor é o que atrai os homens em sua marcha evolutiva. Chardin não traz imperativos morais, mas atrai e orienta pela alegria, júbilo e esplendor de sua visão.
Fragmento do Livro "Introdução ao Estudo da Filosofia", de Antônio Xavier Tele
Lúcia Izidoro

